Por diversas vezes, decolei e aterrisei no aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro, e em quase todas um pensamento não muito agradável me ocorria: qualquer dia um avião vai parar na água! Basta uma falha no freio ou excesso de velocidade durante a aterrisagem, ou ainda, uma outra falha mecânica, elétrica ou humana, que isso poderá acontecer.
Pois bem, aconteceu. Na ultima quinta feira, 12 de agosto, uma aeronave Learjet da Ocean Air foi parar dentro da baia de Guanabara durante a aterrisagem, evento este que a ANAC classificou de incidente, classificação esta atribuida certamente porque nao houve fatalidades.
Aí me lembro do acidente com a aeronave da TAM, em Congonhas, em um dia trágico de julho de 2007, quando uma aeronave Airbus atravessou a pista em alta velocidade e foi parar do outro lado da avenina Ruben Berta, exatamente sobre o predio da TAM. Naquela oportunidade 199 pessoas morreram.
O que estes eventos tem em comum? O mesmo receio que tenho ao utilizar o aeroporto Santos Dumont, tambem tinha (e ainda tenho) ao trafegar pela Av. Ruben Berta/23 de Maio e ao olhar para cima, visualizar na cabeceira da pista imensas aeronaves taxiando logo alí, acima do automóveis. Lembro-me que por vezes também pensei: Qualquer dia um avião vai cair aqui em baixo.
Será que só eu tive essas sensações ? Será que sou um pessimista ? E as autoridades competentes e os especialistas ? Será que não notaram que em ambos os aeroportos não existe a minima área de escape, que não evitaría as falhas mas que certamente atenuaria (minimizaria) as consequencias, principalmente no acidente da TAM ?
Pois é, o RCM nasceu na aviação americana na década de 60, mas parece que até hoje esse pessoal não sabe !
Abraço
Denis Mortelari – Diretor – SQL Brasil

