Faltam áreas de escape nos nossos aeroportos, entre tantas outras coisas…

14 de agosto de 2010

Por diversas vezes, decolei e aterrisei no aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro, e em quase todas  um pensamento não muito agradável me ocorria:  qualquer dia um avião vai parar na água! Basta uma falha no freio ou  excesso de velocidade durante a aterrisagem, ou ainda, uma outra falha mecânica, elétrica ou humana, que isso poderá acontecer.

Pois bem, aconteceu. Na ultima quinta feira, 12 de agosto,  uma aeronave Learjet da Ocean Air foi parar dentro da baia de Guanabara durante a aterrisagem, evento este que a  ANAC classificou de incidente, classificação esta atribuida certamente porque nao houve fatalidades.

Aí me lembro do acidente com a aeronave da TAM, em Congonhas, em um dia trágico de julho de 2007, quando uma aeronave Airbus atravessou a pista em alta velocidade e foi parar do outro lado da avenina Ruben Berta, exatamente sobre o predio da TAM. Naquela oportunidade 199 pessoas morreram.

O que estes eventos tem em comum?  O mesmo receio que tenho ao utilizar o aeroporto Santos Dumont, tambem tinha (e ainda tenho) ao trafegar pela Av. Ruben Berta/23 de Maio e ao olhar para cima, visualizar na cabeceira da pista imensas aeronaves taxiando logo alí, acima do automóveis. Lembro-me que por vezes também pensei: Qualquer dia um avião vai cair aqui em baixo.

Será que só eu tive essas sensações ? Será que sou um pessimista ? E as autoridades competentes e os especialistas ? Será que não notaram que em ambos os aeroportos não existe a minima área de escape, que  não evitaría as falhas mas que certamente atenuaria (minimizaria) as consequencias, principalmente no acidente da TAM ?

Pois é, o RCM nasceu na aviação americana  na década de 60, mas parece que até hoje esse pessoal não sabe !

Abraço

Denis Mortelari – Diretor – SQL Brasil

Efetividade Técnica e Viabilidade econômica das Tarefas RCM

19 de julho de 2010

A natureza e a severidade dos efeitos das falhas governam a maneira pela qual a falha é vista através da organização.

O impacto em cada caso depende do Contexto de operação do ativo, dos Padrões de desempenho aplicáveis a cada uma das Funções, e dos respectivos Efeitos físicos que os modos de falha proporcionam para a  Produção.

Esta combinação do Contexto, Padrões de Desempenho e Efeitos de cada Falha tem um conjunto específico de Conseqüências associado.

Se as Conseqüências em Falhas Ocultas, que afetam a Segurança ou o Meio Ambiente  e  Operacionais são muito sérias, então valerá  a pena realizar a tarefa.

Porém, ainda resta verificar a efetividade técnica da tarefa. Neste ponto o RCM é bastante rígido e as perguntas: Existe uma nítida condição de falha em potencial ? qual a condição ?  Qual é o intervalo P-F ? O intervalo P-F é extenso o suficiente para ter utilidade ? Ele é consistente ? A tarefa pode ser feita a intervalos menores que o P-F ? , ou ainda: Existe uma idade em que ocorre um rápido aumento da probabilidade condicional da falha ? A maioria das falhas ocorre após essa idade ?,  deverão ter como resposta SIM (todas elas ) para que a tarefa seja tecnicamente viável e seja demonstrada sua efetividade técnica.

Só isso ? Não !

Ainda é necessário provar sua Viabilidade econômica, ou seja, se depois de um período de tempo relativo ao MTBF da falha, o custo da execução da tarefa for inferior ao custo total das conseqüências, e no caso Não Operacional se o custo da execução da tarefa for inferior ao custo total do reparo, então consideráveis esforços devem ser feitos para prevenir a falha ou reduzir / eliminar suas conseqüências.

Por outro lado, se a falha tem mínimas conseqüências ou se não  há efetividade técnica para realizá-la, ou ainda se não for viável economicamente, o processo será conduzido a Nenhuma Manutenção Programada ou então Reprojetar se for justificável.  

Isto sugere que as Conseqüências das falhas são mais importantes do que suas características técnicas, ou seja, a prevenção da falha torna-se menos importante do que evitar ou reduzir as suas conseqüências.

Enfim, o processo RCM parece que tenta, a exaustão, não executar as tarefas e sim reduzir as conseqüências. Isto está claro para você ? Os seus programas têm gerado muitas ações de manutenção ? Pense nisso.

Nei Pizzati Sales – SQL Brasil – Consultor

Qual a consequência do vazamento do Golfo do México para o Brasil ?

15 de junho de 2010

Denis MortelariA Agencia Estado publicou em 10/06/2010, parecer da AIE – agencia Intenacional de Energia:

“O vazamento de petróleo no Golfo do México pode colocar em risco o crescimento da produção em águas profundas no Brasil, Angola e Nigéria, disse hoje a Agência Internacional de Energia (AIE), com sede em Paris. A entidade afirma, entretanto, que ainda não há evidências de que a concessão de licenças nesses países será afetada. A AIE estima que as três nações devem trazer oferta adicional de 550 mil barris de petróleo por dia (bpd) entre 2009 e 2015, como resultado da exploração em águas profundas.

Conforme a entidade, o desastre ambiental nos Estados Unidos, resultado da explosão de uma plataforma da britânica BP, leva diversos países a examinarem os procedimentos adotados na produção e nos mecanismos de segurança. Além dos EUA, essa revisão acontece no Brasil, Canadá, Reino Unido, Noruega e China. O Reino Unido, por exemplo, irá dobrar a frequência das inspeções das instalações em alto-mar (offshore). A Noruega indicou que vai aplicar as “lições aprendidas” do vazamento nos EUA. Segundo a AIE, o Canadá já apertou a regulamentação para exploração em águas profundas.

Para a agência, trata-se “inquestionavelmente de uma tragédia humana e um grande golpe para o ecossistema e a economia local” do Golfo do México. “A forma como os projetos são aprovados, operados e regulados será, com certeza, totalmente examinada e potencialmente aperfeiçoada”, diz o relatório mensal da AIE, divulgado hoje.

O governo de Barack Obama impôs uma moratória de seis meses para novas perfurações na área. Como ilustração, a AIE calcula que um atraso entre um e dois anos dos novos projetos no Golfo do México resultaria em redução de 100 mil a 300 mil bpd na produção até 2015. Como há diferenças regulatórias entre os países, a agência diz que não é possível fazer uma extrapolação desse impacto para outras regiões.

O real efeito de longo prazo do vazamento sobre a produção offshore mundial dependerá, entretanto, das causas do acidente – se resultado de negligência da empresa ou, mais grave, de falha dos atuais procedimentos operacionais, o que representaria impacto maior sobre o setor, avalia a entidade.”

Pois bem, aí está a consequencia:  Medidas prévias visando a  identificação e a prevenção de possiveis falhas futuras (que ja tenham ocorrido ou não), deverão ser obrigatorias daqui pra frente na prospecção de óleo em aguas profundas, além do prejuizo ambiental imensurável. Toda moeda tem dois lados.

Será que chegou a nossa vez ? Finalmente entenderam que a consequencia é o que importa e não a falha em si ?  Será que era necessário passar por este acidente ? Ele não poderia ter sido evitado ?

Parece que daqui para frente as coisas vão melhorar para os profissionais que pensam como nós .

Grande abraço,

Denis Mortelari – SQL Brasil Ltda – Diretor